Qual prancha você vai esperar ter para surfar teus sonhos?
Qual prancha você vai esperar ter para surfar teus sonhos?
Como uma "guria" do interior do RS, eu não entendo nada de surf. Mesmo assim, impossível não se atentar um pouco para o esporte que, na última semana, conquistou ouro olímpico para o Brasil. O surf tem muito a nos ensinar, assim como o medalhista Ítalo Ferreira.
Surfar, como todo esporte praticado em alto nível, exige excelente condicionamento físico e, com isso, muita disciplina. É o que o atleta "controla", assim como na maioria dos esportes. Porém, ao contrário de outras modalidades, o surf também conta com uma dose de sorte, pois depende de fatores da natureza como vento e ondas, além do "olho" do jurado. Aprendi isso com o Ítalo, que em uma de suas entrevistas disse sobre alguma manobra: "eu faço isso sempre que eu quero". E logo corrigiu para "sempre que eu consigo", justamente porque no surf, como os atletas muito disseram nos últimos dias, não se controla tudo. Aliás, controla-se muito pouco.
Além da natureza e dos jurados, o surf depende de uma prancha, onde o atleta vai desempenhar suas manobras. Aqui, o surf se assemelha com a fórmula 1, pois quanto melhor o carro, maior a chance de um bom desempenho. É por isso que o surf, embora venha se popularizando, costuma ser esporte de elite aqui no Brasil. Mas com Ítalo não foi bem assim. De origem humilde, o surfista contou que começou a surfar em uma prancha de isopor, mais precisamente, na tampa das caixas que seu pai usava para vender peixe na praia. Com muito esforço, ganhou uma prancha de presente do pai e desde então nunca mais parou de surfar. O resultado? Um ouro olímpico inédito, na estréia do esporte nas olimpíadas.
Nessa perspectiva, pergunto-me se teríamos medalha olímpica caso Ítalo não tivesse começado a surfar com a prancha de isopor que tinha quando começou a se aventurar nas ondas. Que rumo teria tomado sua vida se, ao contrário de surfar com a tampa da caixa de isopor, Ítalo permanecesse reclamando do fato de sua família não conseguir comprar uma prancha de verdade?
Ítalo teve sorte, mas também teve muita AÇÃO. Fez o que podia, com o que tinha no momento. Na vida ele também fez como no surf, ignorou o que não podia mudar e agiu dentro do que era possível. E seu legado parece ir além da medalha inédita e das lições que o surf e sua prancha de isopor nos deram. Ele irá transformar sua casa em um centro educativo para jovens de baixa renda que queiram aprender a surfar. Mais uma vez, Ítalo nos mostra que AÇÕES têm valor, medalhas e pranchas têm preço. Que muitos adolescentes possam mudar seus destinos na onda do Ítalo e que os ventos, merecidamente, soprem em seu favor (assim como foi com o Ítalo). E você, tá esperando qual prancha para começar a surfar nas ondas dos teus sonhos?
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