VIREI BLOGUEIRA EM TEMPOS DE COVID 19






No filme “tudo o que você sempre quis saber sobre sexo e nunca teve coragem de perguntar”, Wood Allen busca explorar diversos aspectos da sexualidade ancorando-se no humor pautado no exagero. Uma das lições que tiramos nos ensinamentos de Allen sobre o assunto é o de que “devemos simplesmente viver as experiências e não sair perguntando – ou buscando em livros de auto ajuda”.
Semelhante a isso, ao inaugurar esse blog sobre estudos e concursos, a primeira “lição”, um pouco paradoxal, é verdade, é a de que estudar para concursos prescinde fórmulas. Estudar é simplesmente estudar. 
Portanto, apenas “viva as experiências do conhecimento”, que nesse momento da vida tem uma especificação, qual seja - “para concursos”. Tudo o que você ler e ouvir sobre o assunto são apenas dicas a serem adaptadas ao seu perfil e não fórmulas matemáticas sobre como ser aprovado. Descobrir-se, no mundo do saber é um movimento contínuo e sem termo final. 
Dito isso, não havia outra forma de inaugurar esse blog, a não ser falando de  COVID 19 e preocupações  (IM)produtivas, já que muitos colegas estão apreensivos com a falta de rendimento durante a quarentena. Talvez seja a hora de seguir a dica do Allen e apenas viver o momento. No meu caso, isso foi fazer tudo o que eu sempre quis durante um período de ócio, mas nunca tinha tido coragem de colocar no cronograma.

Vou explicar, voltando ao começo de tudo.

I. O começo da vida concurseira na web

Há cerca de três anos, ainda quando estudava com foco em procuradorias, resolvi desmembrar meu lado “concurseira” da vida pessoal e criar um instagram em que eu pudesse falar apenas sobre concursos e estudos, e interagir com pessoas na mesma situação. Inicialmente, era voltado para concursos de procuradorias, que acabou se transformando em estudo voltado para Cartórios, e hoje é o SEMSERVENTIAMASPORENQUANTO.

Sempre imaginava um insta bonitinho, padronizado. Porém a identidade visual ficou em segundo plano. Eu não me permitia “perder tempo” com isso, já que conciliar trabalho + estudo + namorado + concursos + etc e etc consumia todas as minhas energias.

Até que… FUI OBRIGADA A PARAR.

II. O paradigma COVID 19

Desde dezembro/janeiro, eu já ouvia meu namorado e meu irmão comentarem sobre o vírus que assolava a China e “fazia a bolsa de valores derreter”. Embora, no meu íntimo, eu soubesse que, vivendo em um mundo globalizado aquilo poderia nos atingir, ainda era algo MUITO distante.

É, mas nem tanto.

O vírus que parou o planeta, embora não tenha chegado ao país com a velocidade de um voo doméstico - um voo até a China leva cerca de 20 horas 36 minutos -, ainda está vencendo a corrida contra a ciência, o que é bem mais preocupante: ainda não temos vacina, os remédios estão em fase experimental e fomos obrigados a parar.

Junto com o resto do Planeta, eu fui obrigada a parar. 

III. Fase I – muita ansiedade e preocupações  (realmente) improdutivas

Fase I.1 – Preocupação com a doença

Por cerca de 04 dias, “respirei COVID 19”. 
Vi e li noticiários extremamente catastróficos. Sonhei com o apocalipse. Fiquei com medo.
Na minha cabeça era como se eu sentisse e ouvisse a guerra do COVID contra a humanidade: era como uma “ola” no estádio, o vírus ia se alastrando e progressivamente aumentando seu grunhido - “ahhhhhhhhhhhhhhhhhhHHHHHHHHHHH”. Na minha cabeça, cada ser humano iria para a guerra nas trincheiras, alguns acabariam morrendo. A ciência e os governos faziam o papel de estrategistas.

Era assustador. 

Eu passei todos os dias pensando nisso, pensava na família e nos amigos, nos grupos de risco, nas pessoas pobres, e via essa guerra tomando forma, até mesmo ouvindo o som da batalha. Ficava agoniada com a falta de interesse de alguns, revoltada com a demora dos governantes em tomarem atitudes mais concretas. Pensava em soluções, em formas de me proteger, fazia post, tentava conscientizar as pessoas próximas… 

Até que, os governantes começaram a parar tudo. Finalmente, teríamos chance de vencer a GUERRA, eu poderia estudar em paz… Será?

Fase I.2 – Preocupação com a economia

Ver as cidades parando, deu início a outro terrorismo na minha cabeça: fome, desemprego, colapso na economia.

Eu já não sabia se aquilo que havia defendido arduamente era mesmo a coisa certa a ser feita.

Meu Deus, quando isso acabaria?

Fase II – Pensar no presente e fazer a minha parte.

Depois de tantos devaneios, de ser SUGADA pelas preocupações IMPRODUTIVAS – dediquei cerca de 04 dias quase 100% a viver esse caos – eu estava EXAUSTA. Analisava o quanto minhas ações e preocupações haviam sido inúteis. Percebia que o que estava ao meu alcance era basicamente duas ações: I. Evitar sair de casa e; II. Intensificar a higienização das mãos, alimentos e afins.
Percebi que eu não tinha controle sobre o que o governo faria, tampouco sobre o fato de as pessoas se protegerem – afinal, eu mesma mal conseguia adotar todas as cautelas que deveria. 

Nesse momento, fiquei OFF.

Fase III – outros projetos

Eu tinha outros projetos pendentes. Precisava achar um jeito de concluir minha mudança com o BOY, precisava me adaptar ao home office, precisava pensar sobre móveis e decoração da nova casa, precisava me organizar.
A partir daí esqueci o vírus e toda a guerra que o mundo vivia e ainda vive do lado de fora: li o livro “a arte da arrumação” da Marie Kondo, finalizei a mudança, fiz faxina, organizei a vida e lembrei do que estava deixando pendente há anos: padronizar meu insta, fazer algo visualmente agradável, criar um blog… 

Coloquei a mão na massa e cá estou.

Conclusão.

Vejo muitos instas fazendo postagens catastróficas e taxando de tóxico o “falso positivismo” em tempos de quarentena. 
É realmente tóxico ler e ouvir que a vida deve seguir mesmo com a “3a Guerra Mundial” acontecendo bem na nossa “cara” e, pior, de forma silenciosa. 
Porém, não se trata, propriamente, de “falso positivismo tóxico” e sim de SOBREVIVÊNCIA.
Esquecer e superar todo o contexto cansativo que muitos de nós estamos vivendo e que descrevi acima, chama-se ACEITAÇÃO. Algo que aprendemos com a maturidade e com a famigerada inteligência emocional. Não é papo coach.

De fato, estudar como antes, trabalhar como antes, enfim, viver como se nada estivesse acontecendo é IMPOSSÍVEL. Porém, é realmente necessário ficar submerso em preocupações improdutivas como eu vivi naqueles +/- 04 dias?
Estudar já é difícil em condições normais de temperatura e pressão, então não vamos fingir que seremos “falsos positivos” e estudar normalmente na quarentena. 
Porém, você já se perguntou se a sua vida, seus sonhos e objetivos se resumem mesmo a horas de estudo e uma aprovação? Você nunca sonhou nada além, nem mesmo aprender algo diferente? 
Como seres humanos e considerando que ninguém ainda reencarnou o HANS KELSEN – contém humor – acredito que todos temos sonhos engavetados e que nunca tivemos coragem de colocar no nosso exaustivo cronograma de estudo, como eu tinha com o BLOG e futilidades visuais de instagram.

Dito isso, eu proponho um desafio – TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS FAZER COM O ÓCIO E NUNCA TEVE CORAGEM DE COLOCAR NO CRONOGRAMA:

1. Coloque no papel TUDO aquilo que você gostaria de fazer, mas não fazia por que “precisava estudar”. Poder ser organizar a casa, ler um livro, maratonar na netflix aquela série que está há séculos na geladeira, aprender a pintar a unha, hidratar o cabelo, cozinhar… liste TUDO o que for além concursos e estudo.

2. COMECE sem pressão: comece a fazer aquilo que você SEMPRE quis fazer, sem pressão de terminar logo, sem metas.

3. Enjoy the view: curta cada segundo das novas atividades. Em breve, você só vai pensar na coisa prazerosa que você queria fazer e automaticamente, vai aceitar a dura realidade do COVID 19, sem se afetar tanto com isso.

4. Uma vez desintoxicado do “corona news”, volte para as atividades úteis.

Tenho certeza que ESTUDAR, depois de uma semana de descanso PRODUTIVO, vai ser muito melhor. Semana que vem, você me conta todas as coisas legais que fez durante a semana.

Regras do BLOG:
-Postagens semanais sobre CONCURSOS E CARTÓRIOS, a princípio todos os SÁBADOS.
-Outras postagens em dias aleatórios.

Bem vindos...


Comentários

  1. Parabéns pela iniciativa, além de descansar é super importante restaurar as interações remotas e a produtividade nesses tempos de pandemia. Muitos êxitos!

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    Respostas
    1. Oi colega! obrigada. Pode deixar, descansar é preciso. Sucesso sempre. Um abraço.

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