“Desapegue e realize” ou “Meu concurso sumiu, e agora?” Um pouco da minha novela mexicana.





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Meu concurso sumiu, e agora?

De início, peço vênia para o post intempestivo (havia prometido postagens todos os sábados), porém a vida pede flexibilidade e estamos diante de prazo impróprio e não peremptório (kkk), então seguimos…

No post anterior havia escrito sobre a importância de definir um foco, não para controlarmos o nosso futuro e as infinitas variáveis que envolvem o mundo dos concursos, mas para conseguirmos criar uma rotina de estudos e nos mantermos motivados, dentro do possível (lembrando que disciplina é mais importante que motivação), durante a formação de uma BASE.

Dando continuidade, hoje vou me direcionar pra quem conseguiu definir um foco, separou seu material, começou a formar a base, prestar provas e obter bons resultados, mas o concurso sonhado não veio. Ao contrário, evaporou feito fumaça. E agora? Parece bobagem, mas é hora de ANALISAR com cuidado e confiar no DESTINO.

Foi o que aconteceu (e vem acontecendo) comigo.


Meu concurso havia sumido...

[Estava focada para a sonhada AGU, mas as notícias eram devastadoras: o Poder Executivo sinalizava a drástica redução de concursos e contenção de gastos. Para piorar, a própria classe havia perdido o interesse em novos concursos, segundo as “más” línguas, também em razão da divisão da verba oriunda de honorários (menos membros, mais sobra no bolo)

Eu havia passado o natal e o réveillon de 2018/2019 estudando direito econômico e jurisprudência. Estava estudando na base da “inércia” mesmo, por pura “falta de opção”, até que
Eu estava na praia, quando uma amiga muito próxima mandou whatsapp: “abriu concurso para cartório do TJRS, te joga...”. Eu nunca havia cogitado, realmente, em prestar provas para cartórios. Era uma área completamente desconhecida para mim. Meu namorado também me incentivou (há “séculos” ele falava sobre a área de cartórios).

Era um concurso no meu Estado, e isso era uma das poucas coisas que eu sabia pra minha vida: gostaria de ficar perto de casa, ou pelo menos ter a possibilidade de regressar, um dia. Era uma boa motivação...

Olhei o edital e percebi que eu tinha a base de quase todas as matérias, menos DIREITO REGISTRAL E NOTARIAL. Ainda precisava fortalecer EMPRESARIAL e CIVIL, pois embora tivesse uma boa noção, não era o suficiente para concursos dessa área.

Pensei: 1. A possibilidade de sair concurso para a AGU em 2019 é praticamente zero; 2. Eu posso aproveitar esse edital para aprofundar CIVIL e EMPRESARIAL, coisa que deveria fazer uma hora ou outra; 3. Considerando que não teríamos concurso pra AGU em 2019, dar uma “olhada” em registral e notarial e finalmente saber do que se tratavam não seria o motivo de eventual reprovação futura na AGU, pelo contrário, conhecimento nunca é “demais”.


Comecei um estudo em uma nova área

Comecei, na praia mesmo, resolver questões de notarial e registral pelo aplicativo do qconcursos. ERRAVA TUDO.

Percebi que precisava formar o mínimo de base, pois “boiava” até nas explicações das questões... Entrei no site da juspodivm e comprei o manual “DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL, TEORIA E PRÁTICA DO LUIZ GUILHERME LOUREIRO” e o livro de questões comentadas (900 e poucas).

Não peguei cursinho, porque não queria me encher de material como havia feito anteriormente, e estava totalmente desapegada da prova – uma aprovação seria bem-vinda, porém MAIS uma reprovação não mudava em nada a minha vida.

Comecei, todos os dias, após regressar das férias, acordar às 05h00min e ler de 40 a 50 páginas do Loureiro, todos os dias. No restante do dia mesclava as outras matérias com questões e revisão do meu material… E assim fui, gradativamente e sem muita pretensão, lendo o livro, fazendo questões no QC, fazendo questões do livro revisaço, lendo a lei 6.015, a lei 8.935… Resolvi esquematizar a 6.015 (não sabia muito bem o que estava em vigor ou não, mas queria ter uma noção geral do que ela dizia)…

1ª Ajuda do Universo (prova transferida)

Até que a prova objetiva foi transferida de data (não lembro o motivo). Resolvi pegar o curso intensivo voltado ao TJ/RS do CERS. Com a revisão, aprendi e consolidei muitos aspectos, e de certa forma me sentia confiante diante da quantidade de coisas novas que havia aprendido em tão pouco tempo…
Saí da prova relativamente tranquila, pois seria apenas mais uma reprovação pra conta rsrsrs. Joguei minhas respostas no “olho na vaga” e simplesmente não conseguia acreditar que meu desempenho aparecia entre as melhores notas da objetiva.
Passei a viagem toda ansiosa, atualizando e incrédula que estava com uma boa pontuação
Acreditem se quiser, mas nesse momento eu sequer sabia que a prova objetiva não valia nada (KKKKKKKKKKKKKKKKKK) em concursos de cartório…
E o que estava no olho da vaga se concretizou: eu estava na segunda fase. Por uma semana, não estudei. Ainda faltava um mês para a prova de SC (aproveitei o embalo e me inscrevi ali também). Fiquei um pouco perdida. Ao mesmo tempo que precisava estudar para SC, precisava “engolir” as peças práticas. Nesse momento, dei uma “desorganizada” na cabeça e na forma de estudar…
Eu comecei a, literalmente, copiar as peças do livro do André Vilaverde, só para ter uma “noção” de forma das peças do extrajudicial… Tentei cursinho, mas não me adaptei… No mesmo momento, tentava olhar o conteúdo para SC… Tudo com muita bagunça e ansiedade, sem ter ideia do que eu estava fazendo rsrsrs...


Desempenho "ruim" em SC e MG

Fiz a prova em SC, mas senti que não estava em um dia bom. Não havia feito revisão de véspera e havia algumas questões decorebas que pensava ter perdido… Também não havia estudado o código de normas com afinco… Novamente, joguei no olho na vaga e, apesar da sensação de não ter feito uma boa prova, estava um pouco acima do possível corte…
Um pouco depois, fiz a prova de segunda fase do TJ/RS. Levei um TOMBO. Mesmo sem resultado oficial, percebia que não havia alcançado nem 15% do raciocínio da prova. Fiquei mal. ANSIOSA… Estava tudo dando errado, mais uma vez.
Para completar, logo em seguida veio o resultado de SC → mais de 20 questões anuladas e eu havia ficado por UMA questão do ponto de corte. CHOREI MUITO. Lembrei que havia passado uma questão certa de forma errada para o gabarito oficial… eu era muito azarada…
Continuei estudando no maior desânimo possível. Mais uma vez estava sem um norte… Eu ainda teria que fazer a prova de MG, pois no embalo havia me inscrito lá também. Eu já nem queria ir pra MG “gastar dinheiro”. Mais uma vez, tive um empurrão do namorado - “vai amor, nem que seja pela experiência”…
Com alguma insistência, fui para Belo Horizonte com a intenção de fazer turismo mesmo. Li o Código de normas na viagem, estudei o que minha intuição mandou e me esforcei pra fazer uma prova com calma, apesar de todos os pesares...


2ª Ajuda do universo: prova anulada

Salvo engano, nesse momento, começou um boato que a segunda fase do TJRS seria anulada… Em seguida, que o TJSC também seria… Eu estava no ônibus, voltando da viagem de MG, quando tivemos a notícia das anulações – mão me recordo direito, mas acho que saiu tudo meio que no mesmo dia..
E assim eu saí da fossa pra uma semana de reorganização e esperança – HAJA CORAÇÃO, como diria Galvão. Nessas horas, acho que meu namorado tinha quase convicção de que namorava alguém com transtorno bipolar – e não era pra menos, não é?
Mas nem tudo são flores, pois logo começaram a falar que SC seria judicializado e não teríamos anulação… OK. Eu já estava ficando vacinada do drama ANULA PROVA, MUDA DATA, NÃO ANULA, passa do corte, não passa do corte e por aí vai… Lembrei do que uma amiga havia me dito sobre provas de cartórios: “faz a prova e logo em seguida tenta fingir que não fez, volta pra vida normal”.
Tentei internalizar aquilo. Reorganizei o estudo, tirei uns dias de férias e voltei a focar no TJ RS.
Quanto a MG, eu confesso que nem estava acompanhando. Eu estava em viagem, quando uma amiga mandou mensagem dizendo que eu havia sido aprovada para a segunda fase. Lembro até hoje que comecei a pular loucamente no quarto de hotel. Não porque quisesse morar em MG, mas porque eu não era tão azarada como pensava meses antes RSRSRS.
Fiquei estudando para o RS. Fiz a prova de MG e tive uma experiência com tempo de prova que me ajudou no RS. Peguei um curso aos 45 do segundo tempo para o RS… fiz o TJRS na pura raça e mais uma vez fui aprovada…


Conclusão

Ok, acho que me empolguei em contar minha história… Mas se você veio até aqui, tem um motivo e talvez tudo isso o inspire de alguma forma.
Ainda falta muito pra minha novela mexicana terminar. Tenho uma prova oral para a qual me sinto tão insegura e despreparada quanto me sentia nas provas anteriores. Depois ainda terei que refazer SC… Enfim, são tantas INCERTEZAS, MEDOS E INSEGURANÇAS.
Porém, tenho CERTEZA que cada vez mais eu tenho desapegado da necessidade de controle. De programar. De fazer planos. Eu não sei o que vai acontecer.
Sei que gosto muito de estudar e aprender e que um dia vou colher os frutos… Não sei se nesse concurso, mas vai acontecer.
Sua prova dos sonhos sumiu? Seu concurso foi anulado? DESAPEGA. Por mais difícil que isso seja… DEIXA IR.
Quando olho para a trajetória que trilhei até aqui, percebo o quanto já perdi tempo e energia tentando planejar minha vida, meus passos, tentando fazer planos com o meu futuro. Tudo foi acontecendo de forma incontrolável e as noites em claro com meu “azar”, com minha limitação cognitiva, com isso ou aquilo não foram os fatores que mudaram o meu presente. Não foi isso que me colocou ou tirou dessas provas.
Foi a decisão de ter me jogado, lá no começo de 2019. Foi eu acordar todos os dias para ler o loureiro. Foi eu não ter tido medo de me jogar no desconhecido direito notarial e registral. Foi eu ter esquematizado a Lei 6.015 e feito questões até enjoar… O medo e a insegurança não resolveram os meus problemas, muito pelo contrário...
Nesse “trem bala” da vida, apenas consegui controlar - e não 100% -, a minha paixão pelo estudo, o grão que eu plantava e planto a cada dia dentro das minhas possibilidades. O resto, só o destino dirá…
E isso me lembra um vídeo que me deparei nesse processo (desapegue e realize do canal ioga mudra), e que diz assim:

Exercício de desapego, de distanciamento dos resultados, sempre focando na sua INTENÇÃO, sempre com muita FORÇA, muita DETERMINAÇÃO, tomando as atitudes e realizando as ações para você dar um passo a mais, para você se aproximar daquilo que você busca, mas sem ficar apegado ao resultado, sem ficar pensando que as coisas deveriam ser de uma forma ou de outra… Lembrando que de A até B existem infinitas possibilidades. Então você sabe que você precisa ir de A chegar até B. É essencial você ter FOCO e CLAREZA pra onde você quer chegar. Mas se você não tiver o desapego e distanciamento do resultado, você vai realmente enrijecer o caminho das mais lindas manifestações na sua vida. Então, perceba onde isso te paralisa, onde isso te delimita, para que você possa expandir muito além da sua mente e você possa acessar o infinito potencial que está a nossa disposição nesse campo de infinitas possibilidades. Que está na sabedoria da incerteza e que se desvincilha do medo e do excesso de segurança e de controle que vêm no espaço do apego. Nesse desapego, nesse soltar e deixar ir, é aí que se manifesta tudo o que você mais busca e tudo o que você nem imagina que você sonha”.

Bom desapego pra vocês. Eu nem ia escrever sobre isso, mas aconteceu :D

Boa semana de estudos e muito apego na sua INTENÇÃO.

Na próxima semana, começarei a falar especificamente sobre concursos de cartórios ou sobre outra coisa qualquer, afinal, eu não controlo muita coisa, não é mesmo?...

Comentários

  1. Que texto bacana! Trajetória igualmente incrível. Espero, de coração, que dê tudo certo em sua prova oral. E parabéns pelo projeto do blog. Às vezes, é difícil passar tudo isso no IG, por conta da limitação de linhas e pelo próprio perfil da rede.

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    Respostas
    1. Oi William, fico feliz que tenha gostado do texto e da minha trajetória. Grata pela torcida, apoio e incentivo. Sim, eu sempre quis escrever mais "solto" e me sentia "presa" no IG justamente pelos motivos que você mencionou. Bons estudos. Abraço.

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