Por que definir um foco?





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Por que definir um foco?

Provavelmente, quando você decidiu cursar direito, seus pais e parentes o incentivaram porque o curso “abriria um leque de possibilidades”, o que facilitaria sua inserção no mercado de trabalho. Você se formou – ou está prestes a se formar – e dito “leque” de possibilidades se tornou mais um pesadelo do que o remédio para seus problemas. Estou certa?

Dentre as INÚMERAS possibilidades que o curso oferece, você decidiu estudar para concursos públicos e se deparou com as primeiras dificuldades, que normalmente se resumem a duas: I. Por onde começar a estudar; II. Qual área/carreira escolher.

Eu poderia responder a primeira pergunta com a segunda, dizendo que o primeiro passo é escolher a carreira que você quer. Algo fácil para quem nasceu com o privilégio de ser “bem resolvido” profissionalmente, mas um verdadeiro inferno para quem tem a lua em gêmeos. Ou é libriano. Ou, enfim, é um indeciso de carteirinha, como era o meu caso.

Muitos especialistas orientam que o primeiro passo é definir se preferimos “área federal” ou “área estadual”.

Parece algo simples, já que são caminhos amplos. Contudo, para mim, até isso trazia uma profunda indecisão: eu sempre sonhava com a área federal, mas havia sido aprovada para ser servidora estadual e simpatizava com carreiras de ambas as esferas. Além disso, eu costumava me perguntar se gostaria de trabalhar com algo relacionado a jurisdição propriamente dita ou de viés mais “administrativo”.

Foi nesse caos que comecei estudar para concursos públicos em 2014, quando cometi um dos pecados capitais do concurseiro: a GULA. 


O Pecado da Gula nos concursos públicos

O pecado da GULA não é cometido quando o concurseiro sai loucamente prestar provas de áreas diversas, mas pela soma de dois ou mais dos fatores a seguir:
I. O indivíduo compra um material diferente cada vez que abre um edital;
II. Por óbvio, não termina de estudar o material adquirido no prazo do edital;
III. É reprovado no concurso;
IV. Fica dias sem estudar porque “se matou” durante aquele edital e não valeu a pena.
IV. Até que abre outro edital e o ciclo se repete...

Nesse contexto eu fiz concursos para oficial de justiça estadual, analista da justiça federal, analista do MP, algumas procuradorias… isso que eu lembre.
Veja bem: não é que eu saí fazendo várias provas. Eu me jogava em cada edital, trocando meu material e recomeçando o estudo a cada prova…

Após patinar e patinar, percebi/decidi que seria saudável escolher uma área para focar. Foi quando os questionamentos relatados começaram a me assombrar.

Em breve teria TRT4 e eu queria ficar no RS. Naquele momento, foi esse o critério da escolha.

Comprei um livro de direito do trabalho e comecei a ler, deixando as outras matérias de lado. Tive um bom desempenho, mas não o suficiente para ser nomeada… Na onda trabalhista, fiz TRT PR e MT. No PR fui aprovada com uma classificação pior que o RS e no MT fui reprovada. Desistir de TRT e fiquei um tempo sem estudar.

Ao retornar, novamente, a dúvida: qual área escolher, meu Deus?


Saindo da Gula e definindo um foco

Eu havia pensado em AGU durante a faculdade, embora nunca tivesse colocado em ação. Era uma carreira que me atraía em diversos aspectos. Foi quando abri o edital e vi TODAS AS MATÉRIAS POSSÍVEIS é que pensei: é esse o edital que eu quero. Eu poderia estudar de penal a direito do trabalho com calma, pois não havia previsão de concursos. Até registros públicos estava escrito em algum lugar daquele emaranhado de assuntos previstos.

Comecei estudar para AGU/procuradoria. Separei um material, organizei, e prometi que ficaria um tempo sem prestar concursos.

Foi quando meu estudo começou a sair da parte introdutória de “Princípios” e render… em 2018, voltei a fazer provas e obter bons resultados. Estava começando a formar uma boa base. Estudava para AGU, que não saía, mas começava ir bem em outras provas.

Nesse momento, percebi que, ter um FOCO não é tão importante se você entende que o primeiro passo é formar uma base. Por isso, tudo bem se você não sabe exatamente o que quer da sua vida. Defina uma carreira que faça com que VOCÊ SE SINTA MOTIVADO A ESTUDAR e a persistir no edital para FORMAR UMA BASE.
A meu ver, essa é a única função que definir uma carreira FIM tem para os que são indecisos como eu. Isso porque, não temos controle sobre quando teremos edital para uma carreira específica, sequer temos certeza sobre qual carreira gostaríamos de prestar e essas dúvidas nos levarão, inevitavelmente, a prestar provas para outras carreiras/cargos.


Por que definir um foco

Portanto, se você está com muita, muita dúvida sobre o caminho a seguir, escolha um edital com o seguinte critério: estudar para essa carreira vai me motivar a criar uma rotina de estudos e levantar todos os dias para estudar?
Se a resposta for SIM, você vai começar a agir: separar material, fazer quadro de horários, organizar o estudo
Nessa fase, não importa se vai ter edital em breve (considero até melhor se não tiver), tampouco aprofunde o questionamento sobre se você vai ser realmente feliz nessa carreira, se vai precisar morar longe, e tantos outros “se isso ou se aquilo” que costumamos usar para sabotar o nosso estudo. O FOCO em uma carreira específica, como eu já disse, vai servir APENAS para você ter uma motivação e formar uma boa base. Entendeu?
A meu ver, isso é necessário porque formar uma base, para qualquer carreira, exige um estudo de cerca de 06 meses a 01 ano, a depender de qual foi sua base durante a faculdade, bem como de quanto tempo de estudo diário você consegue manter.
Portanto, antes de começar qualquer atividade relacionada ao estudo para concursos públicos, fundamental definir um FOCO, pois é ele que fará com que você acorde todos os dias durante um bom tempo, até formar uma BASE. Esse foco não vai definir a sua vida - pois não temos como controlar as inúmeras variáveis que existem em torno dos concursos -, mas apenas mantê-lo motivado a estudar.
E aí, gostaram? Prontos para definirem um foco em uma carreira que vai fazer você levantar todos os dias pra estudar?

Comentários

  1. Eu não sei se sou indecisa pq sou geminiana ou se sou geminiana pq sou indecisa, mas sei que me identifiquei muito com a parte da GULA e toda vez que penso nessa minha fase (que durou anos e que acabou tipo mês passado) tenho vontade sincera de voltar no passado e me dar um soco na cara. Mas paciência né, pelo menos agora estou trabalhando na construção da base! Que sorte a de quem percebe isso no início!

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    1. hahahaha... eu sou canceriana e MUITO INDECISA. Então, não sei dizer também... Siiiim! maior "burrada" possível, não é? que bom que "acordamos".

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